É o homem o maior responsável por sua destruição?
Gil Portugal (outubro/92)
PARTE II (Final)
Retomando a nossa conversa do último número desse jornal, vamos ver, primeiro, o que é Ozônio.
O oxigênio, que todos conhecemos, se compões de 2 átomos, por isso se diz O2.
Certas condições naturais, como descargas elétricas em baixas altitudes e radiações ultravioletas na estratosfera favorecem a transformação do O2 no Ozônio, que nada mais é que um oxigênio com 3 átomos, isto é O3.
O Ozônio é um gás que tem cheiro característico e é um oxidante poderoso, sendo tóxico.
Na estratosfera existe uma tênue "capa" desse gás que ajuda a amenizar a energia solar, desde o infravermelho, passando pela luz visível, até o ultravioleta.
É muito importante para nós, pobres mortais, a filtragem dessa energia no que se refere ao ultravioleta.
E que mal faz essa radiação invisível (ultravioleta) de nos atingir? Está comprovado que aqueles que têm a pele mais clara são mais sensíveis a essa radiação e podem contrair câncer de pele. Está também comprovado que a catarata (doença dos olhos) pode ser causada pela radiação ultravioleta, bem como que, certos tipos de verduras têm seu crescimento prejudicado pela incidência dos "raios" ultravioletas.
Lógico é, então que, é de todo importante que a camada filtrante (ou absorvedora) constituída pelo Ozônio seja mantida.
Há algum tempo, o homem descobriu como fabricar o frio, ao comprimir e descomprimir um gás. Ao tentar industrializar o processo com diversos gases testados, a amônia é que apresentava bom rendimento, mas tinha o inconveniente de ser um gás altamente tóxico. Com o evoluir das pesquisas chegou-se a um gás fantástico no rendimento, quando da produção de frio, não tóxico e não agressivo aos materiais com que fazia contato. Tal gás era o CFC (Cloro-Flúor-Carbono), popularmente chamado de gás freon.
Com o passar do tempo descobriram-se outras propriedades importantes desse gás: ótimo na limpeza de circuitos eletrônicos, na fabricação de espumas sólidas e ainda, como componente de arerossóis (sprays).
Há alguns anos porém, descobriu-se o lado negativo do CFC. Seu cloro, ao encontrar uma molécula de ozônio, deslocava o átomo extra desse ozônio e a molécula retornava a O2. Então, esse gás tinha a propriedade de destruir em extensões variadas a camada de ozônio, formando os chamados buracos na camada de ozônio.
Hoje, se pesquisa febrilmente um substituto ideal para o CFC; um deles já foi descoberto, o HCFC e também o HFC (hidro cloro e hidro flúor carbono); resta estudar como substituir o CFC em tudo aquilo que está por aí instalado. Os países mais adiantados começam a assinar protocolos marcando datas fatais para a eliminação total da fabricação e uso do CFC.
Certos meios científicos todavia, como por exemplo o Schiller Institute, Inc em Washington DC, contestam veemente a teoria de que é pela ação do homem que o desastre da destruição de parte da camada de ozônio vem ocorrendo. Os pesquisadores do Instituto afirmam que as fontes naturais de cloro expelidos pela atmosfera, através dos oceanos e vulcões são da ordem de 650 milhões de toneladas a cada ano, enquanto que a fabricação mundial de CFC é de 750 mil toneladas por ano, dos quais se estima que somente 75000t perdidas atingem a estratosfera. Como acréscimo, podemos dizer que os óxidos de Nitrogênio e o Dióxido de Enxofre são, também, degradadores do ozônio.
Tal teoria do Instituto Schiller não vimos ainda ser contestada o que não significa que não devamos previnir naquilo que estiver em nossas mãos fazê-lo.
Gil Portugal