Gil Portugal (setembro/94)
Este é um assunto importante para se tratar nas questões ambientais e foi motivo de um "Mosaico" inteiro desse DIÁRIO DA VALE, em 8 de junho de 1994. O professor Marcus Vinícius deu uma excelente aula sobre o assunto e suas medições na cidade, relativas à acidez das águas de chuva, foram muito importantes, encontrando valores de pH entre 5,3 e 5,4, o que, segundo o professor, já é suficiente para considerar a chuva como ácida.
As conseqüências citadas são os prejuízos que tais chuvas causam às estruturas e automóveis. Neste caso, acrescentamos os monumentos metálicos ou as pedras de origem calcária. Outras conseqüências citadas foram os prejuízos à saúde humana, através do aumento dos casos de asma, rinite e sinusite alérgica, onde acrescentamos que há prejuízos também para a vegetação em geral e, principalmente, as hortaliças.
De qualquer forma, o fenômeno "chuva ácida" é altamente indesejável. As origens principais, também concordo: o trânsito e as indústrias.
No trânsito e nas indústrias, os combustíveis líquidos e os sólidos de origem fóssil, que sempre contém enxofre, fazem com que se evolua para a atmosfera óxido de enxofre, ponto de partida para a chuva ácida, visto que esse óxido, em contato com a umidade do ar, e após algumas reações se transforme no produto final chamado ácido sulfúrico.
Nas indústrias, nos processos que envolvem altas temperaturas, o nitrogênio do ar de combustão gera óxidos de nitrogênio que, em contato com a umidade do ar, e após certas reações, acabam se transformando em ácido nítrico.
Ambos, ácido sulfúrico e nítrico, são altamente corrosivos e descem com as chuvas ou estacionam nas neblinas, provocando os estragos citados.
Em nossa região, toda vez que se vai comentar indústrias, a CSN, por motivos óbvios, é ou deve ser considerada, da mesma forma que, quando se vai comentar trânsito, tem que se levar em consideração o tráfego pesado que atravessa a cidade.
Vejamos essas duas considerações, correlacionadas ao problema chuva ácida.
A CSN, depois que desativou a aciaria SM, que queimava mais de 300 toneladas por dia de óleo rico em enxofre; depois que passou a usar o gás natural (isento de enxofre), em substituição de 90% do mesmo óleo nas demais unidades da usina, bem como, depois que parou de usar o carvão catarinense, rico em enxofre, e ainda, passou a dessulfurar (tirar enxofre) 30% de todo o seu gás de coqueria, deu uma contribuição importante para abaixar as taxas de emissão de óxidos de enxofre. O grande trânsito de veículos pesados, porém, continua a existir e em volume cada vez mais crescente, enquanto não sai do papel a tão badalada estrada do contorno, ou melhor, hoje, estrada do "by pass".
A questão fica mais complicada quando se trata de óxidos de nitrogênio, haja vista que a tecnologia para sua redução é complexa e cara, motivo pelo qual volto a bater na mesma tecla: estamos ainda no be-a-bá do controle de poluição atmosférica porque, até hoje, não resolvemos a poluição por partículas, assunto já amplamente superado em países mais adiantados. Neste caso, não é interessante dirigir os recursos, se poucos, para o combate à chuva ácida, via redução de óxidos de nitrogênio, e sim concentrar esforços no combate a poluição por partículas. Enquanto isso, para as coisas melhorarem no sentido do combate a chuva ácida, via redução de óxidos de enxofre, a idéia é usar cada vez mais o gás natural nas indústrias em geral, aumentar (no caso da CSN) a capacidade de dessulfurização do gás de coqueria e cuidar, de uma vez por todas, para que saia do papel a bendita estrada do "by pass".
Gil Portugal