Gil Portugal (1991)
Será o grande tema da ECO-92 Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, a ser realizada na cidade do Rio de Janeiro, em junho de 1992.
Estudiosos do Worldwatch Institute U.S.A. garantem que devemos começar já, as tentativas de uso de novas tecnologias e de mudanças de mentalidade para que, daqui a 40 anos tenhamos o Planeta Terra em pleno "desenvolvimento sustentado" ou "desenvolvimento sustentável", sem o que, a degradação ambiental colocará o planeta num rumo sem retorno, tornando, de tal modo, de má qualidade a água e o ar que a raça humana, com a saúde cada vez mais combalida, por esse motivo, começará a ser dizimada irremediavelmente.
Os caminhos a serem percorridos se compõem de várias trilhas paralelas a serem vencidas, simultaneamente.
Para começar, novas concepções de fontes de energia e de economia de energia, deverão ser adotadas.
As atuais fontes de energia, baseadas nos combustíveis fósseis, deverão ser paulatinamente abandonadas e fortemente incentivadas as pesquisas de fontes de energia não poluentes como a eólica, a solar e à base de hidrogênio como combustível. O petróleo deverá ser aproveitado para fins mais nobres na petroquímica.
A arquitetura deverá ser condizente com o clima, de sorte a economizar energia na iluminação, na calefação, na refrigeração ou na ventilação pura e simples.
O reflorestamento das grandes áreas desmatadas deverá ser realizado, utilizando-se, para isso, as mesmas espécies vegetais que existiam, a fim de estancar as desertificações que hoje pipocam em diversos pontos do Planeta.
Os clorofluorcarbonos, hoje indispensáveis a muitos setores industriais, porém inimigos mortais da camada de ozônio da atmosfera, deverão ser, gradativamente e no menor tempo, substituídos pelos hidroclorofluorcarbonos ou outros produtos que não afetarão o ozônio mas que, quem sabe, por serem nocivos aos materiais com que fazem contato, demandarão profundas pesquisas de novos materiais resistentes a eles.
As indústrias de transformação deverão buscar tecnologias que reduzam a geração de resíduos e ou promoverem a reciclagem desses resíduos.
A reciclagem de papéis, vidros e plásticos usados será imprescindível, bem como, a compostagem de lixos orgânicos. A busca pelos biodegradáveis deverá ser constante.
A carne bovina deverá ser um alimento em extinção ou de consumo restrito, haja vista a destruição que se fazem das florestas para dar lugar às pastagens, bem como a utilização de grãos na alimentação do gado que, pelo seu valor protéico, deverão alimentar diretamente o homem; a menos que se integre a alimentação do gado com as culturas agrícolas.
Os transportes coletivos de massa deverão ser incentivados, sendo sua energia propulsora baseada, de preferência, em energéticos não poluentes; a bicicleta deverá ser amplamente usada.
Os transportes de cargas terão que ser feitos aproveitando-se ao máximo as possibilidades de navegação por rios e mares e sempre que possível, combinados com ferrovia e, ainda buscando-se, aí, as oportunidades de realização de fretes de retorno.
O controle populacional do planeta será indispensável para que haja alimentos para todos e também para que se possa ter um controle sobre as infra-estruturas que estejam suportando ou virão a suportar as necessidades do contingente populacional do planeta, evitando, inclusive, a necessidade de crescimento dessas infra-estruturas.
As fazendas de peixes e crustáceos deverão se amplamente popularizadas para auxiliarem na alimentação.
As reformas agrárias deverão contar com tecnologia e infra-estrutura para que não haja desperdícios e não afetem o meio ambiente pelo mau uso de desmatamentos e defensivos agrícolas.
Os defensivos agrícolas, baseados em formulações químicas, deverão dar lugar, no menor tempo, àqueles baseados em predadores naturais.
A informatização deverá possibilitar, para muitos tipos de trabalho, o mínimo deslocamento do empregado, ensejando a realização de tarefas em suas próprias casas.
Em resumo, nesses curtos quarenta anos que aí vêm, uma profunda mudança comportamental terá que acontecer; é um verdadeiro caminhar na corda bamba que não admitirá dispersão de esforços e planejamentos imperfeitos; mas as ações não poderão ser tomadas em pontos isolados do planeta. Os países onde mais abundam tecnologias e poder econômico terão que instaurar ações internacionais de emergência para ajudar aos países carentes, sem descuidarem-se de sí próprios. A cessão de tecnologias e recursos deverá ser, nesse mister, sem fronteiras pois, afinal, na nave Terra, todos são passageiros. Quanto ao Brasil, forte articulação dos diversos setores, envolvidos com os temas mencionados, deve ser empreendida a fim de que se saiba, com certeza consensada, os caminhos a percorrer e os recursos a serem buscados.
Gil Portugal