A NOVA VISÃO DA INDÚSTRIA
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Gil Portugal

(1999)

            Noutro dia escrevi a respeito da necessidade de ser incentivada a volta ao campo; de que seja invertido o fluxo migratório das populações que passou a existir do campo para a cidade, a partir do início da industrialização em grande escala.

            O inchaço das cidades aconteceu pelo aumento da densidade industrial e com isso, foram se formando as megalópolis. Atrás disso, a qualidade de vida nessas megalópolis foi diminuindo, inclusive na questão da segurança pública, visto que, com a densidade industrial aumentada, acarretou haver muita riqueza em curto espaço territorial.

            O ABC, em São Paulo, é um caso típico onde, aos poucos, os movimentos sindicais fortes e as condições de infra-estrutura muito solicitadas, que se traduzem em qualidade de vida, passaram a se esgotar, começando a implodir a vontade dos empresários já estabelecidos na região em ampliar seus negócios em outros lugares e os outros, de fora, a virem de ali não se instalarem. Atualmente, as lideranças políticas do ABC têm-se empenhado, em vão, no oferecimento de atrativos extras para que as indústrias não se mudem.

            O Brasil é um país jovem na questão de pólos industriais, mas se enxergarmos exemplos de outros países já “macacos-velhos” em questão de industrialização, pode-se perceber que a tendência é mesmo que os pólos existentes não cresçam e até se desfaçam. Vejam Pittsburgh, que era um pólo, o maior do mundo, na fabricação de aço. Hoje, com a desativação da maioria das siderúrgicas, acarretando a desativação daquelas indústrias que orbitavam em torno delas, fez com que Pittsburgh se tornasse uma cidade de atrativos mais voltados ao setor terciário da economia (serviços). Detroit, gigante da fabricação de automóveis, idem. A Baía de Tóquio chegou ao ponto de exportar suas indústrias para outros países.

            Dessa forma, a rigor, está havendo uma descentralização, apontada para outras regiões, com os industriais preferindo instalações em cidades de porte médio, ao invés de permanecerem ou se posicionarem em ambientes altamente saturados.

            Hoje, a modernização dos transportes e das comunicações vem auxiliar nessa tendência, favorecendo, sobremaneira, a descentralização, além do que, os custos da mão de obra tendem a ser maiores nos centros já congestionados. Segundo Joelmir Beting, um trabalhador da Ford, no ABC, custa R$ 14 a hora; na Fiat, em Betim, R$ 7,30 e na Volkswagen, em São Carlos, R$ 6,80.

            No interior, menos congestionado, é possível um meio ambiente mais preservado, um trânsito mais civilizado, uma segurança pública mais tranqüila, um atendimento médico mais efetivo e uma escola mais barata.

 

Gil Portugal