Gil Portugal (novembro/92)
Por volta do ano 8.000 a.C. (antes de Cristo), calcula-se, por meios estatísticos e científicos, que a população mundial girava em torno de 5 milhões de pessoas.
No ano de 1650 d.C. (depois de Cristo), a população mundial atingia a cifra de 500 milhões. Fazendo as contas, de 8000 a.C. até 1650 d.C, temos 9.650 anos, o que indica, em números aproximados, que a cada 1.500 anos a população do planeta, naquele período, dobrou.
No ano 1850, a população da Terra atingiu 1 billhão de pessoas; logo, comparando-se com o ano 1650, vemos que, bastaram 200 anos para que a população dobrasse.
80 anos depois; isto é, em 1930, a população novamente dobrou (2 bilhões); 45 anos depois (em 1975), dobrou novamente, e foi a 4 bilhões e neste ritmo, chegaremos ao ano 2000 com cerca de 6 billhões. Isso se chama crescimento exponencial; muitos chamam explosão demográfica.
Sem medo de errar, podemos afirmar que antigamente o homem era um ser natural e hoje é antinatural, isso porque ele foi inicialmente criado pela Natureza para viver menos de 30 anos e a própria Natureza e situações especiais, naquela época, se encarregavam de eliminá-lo até completar aquela "curta" idade através, principalmente, das doenças e das guerras continuadas. Isso significava que, mesmo que a quantidade de nascimentos fosse grande, a taxa de mortalidade era enorme, mantendo, no global, um acréscimo pequeno na população e suportável pelo Meio Ambiente.
As técnicas que permitiram o aumento da produção de alimentos, tanto no plantio quanto na destruição de pragas e no armazenamento etc.; a proteção às intempéries a que o homem se sujeitava e os recursos da medicina foram, cada vez mais, prolongando a vida "natural" do homem e aumentando sua sobrevida "não natural".
Tal longevidade é tão antinatural que há médicos que garantem que, mesmo que o homem fosse sempre 100% saudável, ele iria morrer de velho, pouco acima dos 100 anos de idade.
Malthus, economista, inglês do século XVIII, criou a teoria malthusiana que faz uma análise profunda a respeito da explosão demográfica do Planeta, afirmando que jamais teríamos uma sociedade feliz, devido a tendência (estatística) de que as populações sempre cresceriam mais que os meios de sua subsistência.
De fato, embora cada vez mais se avance na tecnologia de alimentos, remédios, habitações etc. estamos perdendo a corrida para a explosão demográfica, e o planeta ficando cada vez mais pobre em seus recursos naturais (renováveis ou não), explorados intensivamente e na esmagadora maioria das vezes, de forma irracional.
Ou mudamos ou seremos engolidos por nós mesmos.
Gil Portugal