Gil Portugal (setembro/95)
O gerenciamento da qualidade já é um fato consumado, uma realidade que as empresas, nos mais diversos ramos da atividade humana abraçaram ou estão prestes a abraçar, sem o que correrão o risco de sucumbirem na competição pelo mercado. A passos largos, vem atrás o gerenciamento ambiental que pretende estar casado com o gerenciamento da qualidade para, juntos, definirem quem está vivo no mercado.
Não temos dúvidas de que, pelo menos na Europa, muitíssimo em breve, os gerenciamentos citados terão, juntos, um peso decisivo no fechamento de negócios, visto o desejo do cidadão europeu de querer ter a certeza de que o produto que comprou, além de possuir boas características qualitativas em si e garantia de assistência, não demandou, para sua fabricação, de danos à natureza. Outrossim, não deixa de passar por nossa mente uma desconfiança de que muito que se diz é da boca para fora, pelo menos no que concerne à qualidade ambiental: isso não seria uma forma de protecionismo aos empresários e trabalhadores de lá?
De qualquer maneira, se a adoção desses procedimentos passa a ser imprescindível, impossível será não acreditar e não se enganjar. Temos mesmo é que acatar as regras do jogo e partir para a disputa.
As séries de normas ISO-9.000 é que regulam o gerenciamento da qualidade. A ISO (Organização Internacional para Normalização), com sede em Genebra, na Suíça, através do comitê técnico de normas relativas à qualidade, elaborou normas relativas à qualidade: a denominada série ISO-9.000, que teve uma grande aceitação mundial (nem tanto nos E.U.A. em princípio) e hoje, empresas em 95 países a adotam para suas gestões de qualidade.
A grande realidade é que, perto da virada do século, competitividade e lucratividade estarão ligadas às séries de normas ISO-9.000 e ISO-14.000, pois ambas estarão em plena aplicação nos mais variados tipos de negócios.
Mas o que vem a ser ISO-14.000? É uma norma de processo e não de desempenho, cuja certificação será voluntária e tratará exatamente de aspectos relativos à proteção ambiental, junto às atividades produtivas.
A ISO-14.000 está sendo redigida para ser aplicada a todos os tipos de tamanhos de organizações, procurando dar um tratamento único para condições diferentes, quer sejam elas sociais, culturais, políticas ou geográficas.
Os aspectos ambientais que estão sendo incluídos na série ISO-14.000 abrangem emissões líquidas e gasosas; lixos de diversas espécies e procedências; combustíveis; energia; liberação de energias térmicas e vibratórias e até impactos visuais.
Dentro da série ISO-14.000 estão sendo desenvolvidos cerca de 20 projetos abrangendo análises, diretrizes, testes, símbolos, e estarão compreendidos, entre outros assuntos, o Sistema de Gestão propriamente dito; a avaliação do desempenho ambiental, incluída a auditoria; a avaliação do produto e sua implicação no meio ambiente, desde a origem até o uso e descarte.
Muito em breve, a qualidade total será dada como atingida, se forem aplicadas aos negócios, em conjunto, a qualidade ambiental, a gerencial e a do produto, isso é, o somatório das ISOs 9.000 e 14.000.
Gil Portugal