A pobreza só cresce?
Gil Portugal
Revendo um pouco da História Universal, dá para entender que os povos da antigüidade tinham tudo para serem absolutamente ou quase iguais entre si, no que se referia à satisfação de suas necessidades básicas. Não havia, praticamente, pobreza e nem riqueza, mas já existiam nesses povos indivíduos que se destacavam pela força ou por possuírem algo mais que a maioria não possuía.
Mas, foi exatamente por faltar, para alguns desses povos, aquele algo mais que a sua imaginação indicava para lhes dar maior conforto material, é que eles começaram a tentar conseguir dos outros povos, através de negociações ou domínio territorial, bens e dinheiro. Iniciava-se paulatinamente o Imperialismo.
Para que houvesse sucesso nessa dominação, os dominadores começaram a se aculturar na exploração de recursos naturais e na fabricação de bens que facilitassem a dominação, pelo comércio ou pela força.
Evidente é que, tal situação foi se avolumando com o decorrer dos tempos e também foram se aprimorando os métodos de dominação.
No Ocidente, até a chegada da Revolução Industrial, as economias dos povos se amealhavam em castas onde predominavam as estruturas hereditárias. Dessa forma, sempre existiram basicamente duas grandes categorias: aqueles que espoliavam e os que eram espoliados. Como os espoliados eram, é lógico, a grande maioria, bastava que estes demonstrassem alguma força para que, no geral, conseguissem dos espoliadores, pelo altruísmo ou por medo de que vissem seus negócios atrapalhados, algum benefício.
E a coisa toda continua a evoluir nos dias de hoje, num crescente sem fim, visto que a condição do espoliado é ainda a condição daquele que vive no estado mais natural possível, enquanto que os outros, constantemente vêm acumulando economias e conhecimentos.
O viver citado, no estado mais natural possível, implica na utilização desordenada dos recursos naturais, causando degradação de áreas agriculturáveis e dos recursos hídricos, levando ao crescimento da pobreza. Além disso, tal estado implica num crescimento exagerado em termos demográficos, pressionando a necessidade por alimentos e por serviços públicos de saúde e saneamento e consequentemente, maiores dificuldades de distribuição de recursos para um atendimento condizente, e com isso, o agravamento do estado de pobreza.
Na outra casta, onde se acumulam riquezas, em forma de economia e cultura, a tendência é o enriquecimento cada vez mais acelerado.
Assim sendo, o "gap" entre as duas classes só tende a aumentar com o passar do tempo.
De uma forma global, o custo de assistência cada vez maior em nações como o Brasil, enfraquece a economia do país, como um todo e praticamente os benefícios reais quase não aparecem, devido a que esses recursos são, via de regra, desbaratados em obras que são abandonadas quase no seu término, compras mal feitas e mal distribuídas, burocracias e corrupção.
Todavia, o combate à pobreza, como alguns apregoam, não pode ser feito pelo aumento dos impostos daqueles que já pagam e muito. Há que ser feito com empregos, obras de real utilidade e vigilância no gasto dos dinheiros públicos.
Gil Portugal