MATA CILIAR
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Gil Portugal

O leitor do "Diário do Vale" deve lembrar que, num artigo recente, falei sobre os manguezais, dizendo que eram sistemas ecológicos que apareciam nos litorais marinhos, dominados por espécies vegetais incentivadas por micronutrientes arrastados pelas chuvas e trazidos dos solos férteis. A ocorrência desses vegetais acarreta intensa vida animal de pequeno porte, inclusive microscópica, que prolifera, devido à maré e ondulações do mar que vai oxigenando o sistema e a luz solar que propicia a fotossíntese, incentivando o crescimento vegetal.

Ali se situam, então, as bases de alimentação de outros animais favorecendo a existência de estoques de peixes, moluscos e crustáceos, fontes de grande valor protéico.

Imaginem, agora, os mesmos nutrientes, ao invés de para o mar, sendo carreados para um rio.

Antes de chegarem a esse rio, no caminho até ele pelo solo, os nutrientes vão encontrar este solo permanentemente úmido, devido ao próprio rio que, por contato permanente de suas águas, “encharca” os terrenos próximos.

Sobre esses terrenos incide o Sol e portanto, haverá a fotossíntese. Devido aos nutrientes, ao Sol, ao solo e a água (terreno úmido), aparece outro ecossistema importante denominado mata ciliar que, numa definição simplista, pode-se dizer que é a vegetação que cresce junto às margens de um rio e ao longo delas.

Tal vegetação pode ser de porte médio, em forma de árvores ou em forma de arbustos.

Geralmente, os rios de cava profunda dão árvores de maior porte e os de cava rasa dão árvores de menor porte e vegetações baixas, constituindo as chamadas várzeas, porém, neste caso, a área de mata ciliar é mais extensa.

E que importância teria essa vegetação ao longo das margens de um rio?

Em primeiro lugar, pode-se afirmar que as raízes das árvores ajudam a fixar o solo junto às margens, dificultando o desmoronamento dessas margens para dentro do rio, o que irá assoreá-lo, o que é ruim, pois ficará prejudicada a biota do rio, em especial a do fundo.

A mata ciliar funciona, também, como uma espécie de barreira, segurando materiais terrosos que chegam com as chuvas (enxurradas) e com isso impede ou dificulta o assoreamento do curso d'água. Essa barragem pode estar segurando também toda espécie de materiais estranhos que irão afetar a qualidade das águas do rio, como sejam excessos de adubo e agrotóxicos utilizados na lavoura e outros lixos.

As sementes das árvores citadas servem de alimento para os peixes do rio e fazem aparecer uma avifauna, isto é, as aves encontram ali moradia (árvores) e riqueza de alimentação para, também, cumprir o seu papel de semear outros sítios, longe dali, através de seus dejetos com sementes.

É por tudo isso que devem ser coibidos, e existem leis para isso, os aterros das margens, as construções ribeirinhas, os depósitos de lixos e a estocagem de matérias primas e produtos nessas margens etc.

Por hoje é só.

 

Gil Portugal