Criança no lixo nunca mais
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Gil Portugal
(2001)

A Unicef, em parceria com diversas entidades, lançará a campanha “Criança no lixo nunca mais” que pretende tirar dos lixões todos os menores até o ano 2.002.

A notícia foi publicada no “Globo” em 27 de maio de 1999.

São 50.000 crianças brasileiras que hoje convivem com os lixões, sujeitas a bronquites, alergias e pneumonias devidas às poeiras levantadas pelos caminhões; sujeitas à hepatite A pelas mãos sujas; sujeitas à berne devido as moscas varejeiras; sujeitas à AIDS e hepatites B e C pelas agulhas e recipientes com sangue contaminado; sujeitas à infecções da pele, podendo chegar a septicemias e tuberculoses pelas bactérias que podem penetrar a corrente sangüínea; sujeitas a toda espécie de vermes e parasitas intestinais, devido ao pé no chão, à mão suja na boca e à comida contaminada; sujeitas à atropelamentos no vai-e-vem dos caminhões e pás carregadeiras e sujeitas à ignorância porque muitas delas nunca foram à escola.

A campanha pretende orientar os mais de 5.000 prefeitos brasileiros na erradicação do trabalho infantil nesse “afair” e transformar seus lixões em aterros sanitários.

As idéias básicas são: orientar os municípios em projetos de gerenciamento de lixo, capacitar os catadores e orientá-los a se reunirem em cooperativas.

Volta Redonda está prontinha para sair na frente.

A Agenda 21-Local, através de seu “Grupo do Lixo”, já tem listados os pontos básicos para a criação de um aterro sanitário controlado e integrado, onde estão previstos: a criação do novo aterro dentro das melhores tecnologias de proteção ao meio ambiente e de operação; moradias condignas nas cercanias para as famílias dos catadores; cadastramento dos catadores e suas famílias e diagnósticos de suas saúdes; proibição do trabalho de crianças; assistência médica permanente; terreno do aterro pertencente à municipalidade; criação de cooperativa; ensino básico fundamental; cadastramento dos compradores de recicláveis; doação dos primeiros maquinários e outras facilidades visando a segregação dos recicláveis e o aumento de seus valores de venda; obrigação do uso de EPI’s (luvas, máscaras e botas) e implantação de centro de pesquisas nas áreas tecnológicas e humanas a ser capitaneado pela FOA, UFF e FERP.

Paralelamente a tudo isso, o “Grupo do Lixo” começa a desenvolver idéias para reduzir o envio de lixo para o futuro aterro.

Vamos sair na frente e transferir para outro local a nossa lixeira (lixão) pública?

Gil Portugal