Gil Portugal
Acabo
de retornar de uma viagem mista de turismo para ver meus netos, embutindo nesta
viagem alguns assuntos ambientais que tinha interesse em conhecer. Foi no
sudoeste da Flórida.
O
sudoeste do Estado da Flórida, confrontante com o Golfo do México, mais
precisamente o Condado de Lee, engloba, entre outras cidades Fort Myers e Cape
Coral (onde me hospedei).
Pelo
lado "ambiental" fiquei conhecendo, primeiro, uma das muitas trilhas
ecológicas que servem de lazer e estudo para muitos turistas, inclusive os
moradores locais; chamava-se essa trilha Eco Park, que nada mais é que uma calçada
construída de plástico reciclado de cerca de um metro e meio de largura e
assentada sobre um charco que funciona como um manguezal para o rio
Caloosahetche que desemboca, ali por perto, no Golfo do México. Desta trilha,
com quatro milhas de extensão e de forma circular, pode-se observar a rica
flora e fauna existente no charco.
Num
outro passeio, após saber dos dois destinos diferentes dos lixos gerados nas
residências, fui conhecer os pontos finais desses destinos.
A
dona de casa nessa região utiliza-se muito do triturador de pia de cozinha. Ela
joga ralo abaixo os restos de alimentos e os cortes dos vegetais usados no
preparo das refeições e aciona o triturador, indo todo esse material ralo
abaixo para a rede de esgotos. Aqui isso seria um desastre para os nossos rios,
visto que não tratamos nossos esgotos sanitários.
Nos
lares existe uma lixeira na copa com um saco plástico onde todo material que a
dona de casa considera não reciclável é lançado, bem como aqueles recicláveis
como latas, vidros, plásticos etc. que ela tem "preguiça" de levar
até um recipiente em sua garagem para esse fim.
Na
garagem há uma cesta retangular azul destinada a receber jornais, papelões,
revistas, garrafas, plásticos e latas.
Quanto
aos sacos da copa, esses são encaminhados a latões (de plástico), também na
garagem, para serem colocados esses latões, bem como as cestas azuis do lado de
fora da casa em dias predeterminados para serem recolhidos, por caminhões
diferentes.
Há,
então, aí, os dois destinos diferentes de que falei: os sacos da copa
recolhidos por caminhões de lixo dotados de forte prensa que são encaminhados
à usina incineradora do Condado de Lee e que tem a capacidade de queimar 1.200
toneladas por dia, gerando cerca de 100 toneladas por dia de cinzas que vão
para aterro e uma energia equivalente a 35MW que é vendida para a companhia de
eletricidade.
Cada
incinerador (são dois) custou cerca de US$ 60 milhões e já se começa a
construir um terceiro para mais 600 toneladas por dia.
A
usina em questão, órgão governamental, é um modelo de limpeza e organização
e ninguém advinha que é uma "queimadora" de lixo. Fomos ali
recebidos, eu, minha filha e netos de forma muito gentil pelo diretor geral. O
controle da poluição atmosférica é feito por bateria de filtros-manga e os
gases constantemente monitorados. A análise da dioxina é realizada somente uma
vez por ano e segundo seu diretor nunca ultrapassou os limites impostos pelo EPA
(a FEEMA de lá). Tais resultados fazem sentido, visto que a quantidade de plásticos
é relativamente pequena em face da seleção prévia citada.
Fomos
depois visitar uma unidade de seleção de recicláveis, órgão privado, num
bairro industrial. Existem várias unidades destas espalhadas pelo Condado. Ali
são separados, em trabalho manual, e prensados os catálogos telefônicos, os
jornais, os encartes de jornais (que são muitos), as revistas, os plásticos
duros e moles, os vidros moídos (por cores), os papelões e as latas de alumínio,
formando-se destes produtos enormes blocos compactados em forma de paralelepípedos,
para serem destinados aos recicladores.
As
coletas domiciliares de cortes de gramado e de árvores, bem como de restos de
materiais de construção, pneus, móveis e utensílios são feitas através de
solicitações especiais.
É
evidente que não vi nem 10% daquilo que se refere a lixo urbano. A coisa é
muito mais grandiosa e complexa do que acabo de relatar, mas já dá para dar
uma idéia aos leitores do Diário do Vale.
Se houver oportunidade falarei, em um próximo artigo, a respeito da vida dos idosos, do nível de emprego e de como é a Páscoa por lá.
Gil Portugal