O fim da Água?
Home Artigos Publicados Curtas

Gil Portugal
(2003)

Todos nós nos lembramos bem do sufoco por que passamos quando a energia elétrica ficou escassa e tivemos que “na marra” deixar de lado uma série de confortos aos quais estávamos acostumados.

Será que, de repente, poderíamos passar por outro sufoco se a água nossa de cada dia ficasse escassa?

Em particular, na nossa região, vocês já notaram os bancos de areia no Rio Paraíba do Sul onde pescadores caminham? Isso significa que o rio está vazio e é dele que os serviços de água retiram a água para tratá-la e colocá-la em nossas torneiras.

Essa água é cara, mas muitos nem ligam para isso. Ela contém cloro e flúor, importantes aditivos para matar bactérias nocivas e servir à dentição de nossas crianças.

Todavia, ela vai esgoto abaixo em abundância na lavagem de carros e calçadas, naqueles banhos demorados e na escovação de dentes com a torneira aberta, nas descargas prolongadas dos vasos sanitários e na rega de jardins. É muito luxo e desperdício.

Se pudéssemos usar água menos nobre para essas finalidades sobraria água para consumo nobre: matar a sede, nossos banhos, para cozinhar, para lavar a louça e a roupa etc.

E onde estaria essa água para consumo menos nobre? Diretamente nos rios ou nos poços, só que com qualidade duvidosa.

Mas existe outra água disponível? Eu diria que sim e muita e ela está em volta da gente, dissolvida no ar e prestes a cair em forma de chuva.

Em toda atmosfera de nosso Planeta se encontra “disfarçada” uma quantidade incrível de água que significa 13.000 km3 (treze mil quilômetros cúbicos) que traduzidos em litros são 13 bilhões, com o particular de que essa quantidade se renova (ou se repõe) a cada oito dias pela evaporação de todas as águas dos corpos d´água (rios, lagos, mares), solos e vegetais.

Para utilização dessa água é só saber como captar e armazenar águas de chuva. No caso das cidades se tivermos um telhado com calhas que conduzam essas águas para uma cisterna, um bombeamento as levará para uma caixa d´água que abastecerá todas as necessidades de uso menos nobres.

Em Volta Redonda temos exemplo disso funcionando no Instituto de Cultura Técnica e deve haver muitos outros.

Como se vê, além de conservar as matas e nascentes de rios, não desperdiçar água nobre, reaproveitar de alguma forma águas servidas e buscar fontes renováveis (água de chuva) são idéias que merecem ser pensadas se não quisermos passar pelo dissabor de ficarmos sem água.

Gil Portugal