Gil Portugal
Dá
para comemorar! A pressão popular travou a irracional intenção de reformular
o Código Florestal Brasileiro, mas não devem ser desaceleradas as vigilâncias
sobre tentativas por outros caminhos, pois elas aparecerão disfarçadas sob
outras capas. Já vem por aí outro Projeto de Lei.
O
patrimônio ambiental em biodiversidade na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica
e no Agreste Nordestino foi recentemente estimado por estudos do IBAMA, apoiado
em diversas ONG's de caracter científico, em quatro trilhões de Reais. E
olhem, aí não foi computado o valor da água doce disponível na Bacia Amazônia.
Nestes
oito anos, após a ECO-92, o Brasil detém o triste título de campeão na
devastação de florestas, numa equivalência de área a 100 Volta Redonda por
ano.
A
Mata Atlântica, que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e que
deveria ser chamada Floresta Atlântica, só conta com 7% de sua cobertura
vegetal original.
Já
estão perdidos para sempre 15% da Floresta Amazônica e 30% do Cerrado.
Será
que valeria como desculpa o fato que, principalmente no século passado,
americanos (do norte) e europeus progrediram desmatando? Existe até a estória
de que os Estados Unidos (E.U.A) foram desmatando do leste para o oeste e vieram
plantando em sentido contrário e quando chegaram novamente no leste já estavam
ricos. A realidade é bem outra. Embora a justificativa apresentada não seja
econômica e sim que não havia à época preocupação ecológica, o tipo de
floresta temperada daquelas bandas propiciava solos férteis, o que facilitava o
plantio com alta produtividade. Ao contrário da nossa floresta que é tropical,
segundo o pesquisador Marcelo Szpilman, Diretor do Instituto Ecológico
Aqualung, apenas 9% do solo na Amazônia tem aptidão para a agricultura; na área
restante, a camada fértil é pouco profunda e não agüenta mais que 5 anos de
cultivo. Isso aponta para a desertificação em curtíssimo prazo.
O
fato é que, a destruição das florestas do mundo vem mesmo é em busca de
madeira nobre e tem trazido ao Brasil, por longos períodos, levas de
madeireiras alienígenas, principalmente da Malásia, tradicional fornecedor
mundial. Acontece que a própria Malásia, grande devastadora de suas próprias
florestas, hoje, adota uma rígida preservação daquilo que ainda restou
vegetado em seu território e fatura alto na extração de óleo de dendê e
borracha de seringueira, comprovando que a árvore vale mais em pé do que
deitada.
Quanto
ao IBAMA, órgão federal encarregado de tomar conta de nossa flora e fauna,
segundo Vilmar Berna, Prêmio Global da ONU para o Meio Ambiente, é notório o
conchavo governamental para a desestruturação daquele órgão fiscalizador, a
fim de que tal vigilância passe para o controle de subservientes "organizações
sociais" meramente arrecadadoras e distanciadas, portanto, das ações de
preservação e de uso sustentado dos recursos naturais renováveis.
O
quadro funcional do IBAMA cada vez mais vem sendo sucateado pelo desestímulo
salarial e pela ausência de reciclagem técnica, fundamental para o
acompanhamento das ações antrópicas e a elaboração de pareceres técnicos
especializados com relação aos impactos ambientais das ações predatórias
nos ecossistemas.
A
chamada biopirataria estrangeira que deveria estar sendo vigiada pelo IBAMA está
levando vantagem, da mesma forma que comparativamente, estão levando vantagem
sobre os órgãos vigilantes oficiais, os cartéis das drogas e seus braços que
são as quadrilhas de traficantes. Em assim sendo, fica facilitado que
estrangeiros nos levem, via incursões autorizadas ou não em nossas florestas,
para pesquisar nossa flora e fauna, pesquisas estas muitas vezes disfarçada em
missões de catequização ou defensoras das comunidades indígenas, preciosos
dados para a produção de medicamentos, por exemplo, sobre os quais não temos
nenhum direito garantido de propriedade e ainda pagamos caro por eles, quando
retornam às farmácias como remédios de que precisamos.
A
vigilância séria da presença humana nas Unidades de Conservação se torna
cada vez mais necessária, visto estarem essas áreas, em sua maioria, nas mãos
de particulares e indígenas que, com raras exceções, exploram ou deixam
explorar seus recursos e ainda permitem turismos nada ecológicos.
Em suma, onde estão os defensores, legalmente investidos, do nosso patrimônio?
Gil Portugal