A ÁRVORE
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Gil Portugal (1994)

Quem acompanha meus artigos no "Jornal Opção" deve se lembrar que já escrevi a respeito da Árvore em artigo intitulado "Plantar mais e cortar menos", bem como, fiz citações menores em outros artigos como "A tragédia dos bens comuns", "A erosão, o assoreamento e a desertificação" e "Pobreza x Meio Ambiente".

Não querendo ser um "chato" a respeito do assunto acho que, vale a perfeitamente fazer alguns acréscimos ao que já foi comentado, a fim de que o leitor guarde para si algumas informações extras e conheça outros aspectos nesse mister.

Uma edição dominical de um jornal "O Estado de São Paulo", da "Folha de São Paulo", do "Globo" ou do "JB", impressiona pelo grande número de páginas e evidente é que, o custo, só em papel, supera em muito o valor que pagamos ao jornaleiro. São os anunciantes que garantem a sobrevivência do jornal.

Quase sem medo de errar, o "New York Time" é o maior, em número de páginas, jornal do Mundo. O papel utilizado para a feitura do jornal em questão, corresponde, numa só edição de domingo, ao corte de árvores que levam um ano para crescer em 770.000 metros quadrados de florestas (77 hectares) ou, aproximadamente 77 campos de futebol. Outro dado interessante é que, no século passado, nos E.U.A., existiam 365 milhões hectares de florestas e hoje existem apenas 18 milhões. Poderíamos citar exemplos semelhantes de devastações nas Américas, África etc.; não o fazemos para não nos alongarmos. Fica evidente: o plantio para o uso específico (no caso, árvore para fabricar papel para jornal) e a reciclagem do papel (para evitar corte de outras árvores) são assuntos que têm que ser levados a sério no nosso Planeta.

Vejamos, em outro consumo, por exemplo, a nossa Rede Ferroviária Federal, com pouco menos de 30.000 km de linhas férreas e aproximadamente 60 milhões de dormentes ferroviários de madeira de boa qualidade instalados em suas linhas.

A manutenção dessa ferrovia demanda uma troca mínima de 4 milhões de dormentes por ano. Se considerarmos que uma árvore adulta fornece 5 dormentes, teriam o equivalente a 800 mil árvores por ano que serão necessárias derrubar para a fabricação dos dormentes.

Perguntamos, então: é ou não é aí o caso de buscarmos soluções alternativas com árvores menos nobres, dormentes de concreto e dormentes de aço?

Iguais a esses exemplos, quantos outros não existirão? Ficam ao leitor as meditações a respeito do tema.

Gil Portugal