A DECOMPOSTEIRA DOMÉSTICA
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Gil Portugal (março de 1999)

A Agenda 21-Local, em Volta Redonda – RJ, já começou a estabelecer subtemas na Comissões Temáticas acordadas em seu Grande Fórum.

Um desses subtemas é o Lixo, do qual participam cerca de dez membros voluntários extraídos dos componentes do grande Fórum, chamado GT do Lixo.

É um subgrupo que pretende debater com grande profundidade o assunto Lixo em Volta Redonda, a fim de levar suas conclusões ao Grande Fórum para que daí possam se definir os caminhos para a solução deste item de uma forma abrangente no município.

A Decomposteira Doméstica, por exemplo, foi uma idéia bastante interessante colocada por um dos componentes do grupo, o Biólogo Luiz Toledo de Sá, e despertou o interesse nos demais componentes.

Como todos sabemos, hoje, todas as espécies de lixos denominados domésticos, à exceção de algumas que são recicladas, têm o destino de desaparecerem em definitivo, enterradas nas lixeiras.

Uma das espécies, a essencialmente orgânica, composta de restos de alimentos, folhagens e de papéis diversos, pode ter uma destinação mais nobre e de forma não tão complicada de se aproveitá-la, transformando-se em um produto útil ao cultivo de vegetais em geral, como uma espécie de adubo orgânico denominado húmus.

Pois é, o Biólogo Luiz Toledo desenvolveu a decomposteira doméstica que nada mais é que um jarro de barro, com cerca de 1,20m de altura por cerca de 60cm de diâmetro na sua parte mais bojuda.

As paredes laterais desse jarro são perfuradas para permitir a entrada de ar e saída do produto resultante. Pela boca do jarro são depositadas todas as matérias orgânicas geradas no dia-a-dia do lar, assim como as folhas do jardim.

Pela ação das bactérias aeróbias e de minhocas do tipo canadense, o conteúdo do vaso vai passando por reações físico-químicas e biológicas e se transformando no citado húmus que vai se acumulando na metade inferior do vaso, sendo daí removido e peneirado para servir de adubo nas plantações. A parte que não passa na peneira volta ao vaso pela boca.

As minhocas se reproduzem bastante e são fundamentais ao processo pelos túneis que fabricam, indispensáveis à aeração do interior da massa de lixo. Parte delas pode ser retirada, de tempos em tempos, para comercialização.

Dois fatos interessantes ocorrem: a atração das moscas que ali vão depositar seus ovos e logo depois vão embora, não penetrando no interior da residência; o outro fato é a não existência de odores desagradáveis próprios do lixo.

Tal sistema de decomposteira que já vem sendo estudado há mais de 10 anos e tem despertado o interesse dos meios científicos, com exemplo a Universidade Federal de Viçosa.

Exemplares de vasos já funcionam em diversas residências aqui em Volta Redonda e Niterói.

O subgrupo do Lixo já pensa em levar a decomposteira para as escolas como um excelente auxílio no estudo das ciências ambientais.

 

Gil Portugal