Gil Portugal (março/91)
Excluídos aqueles que destroem a vegetação nativa com a finalidade exclusiva da exploração de madeira ou para limpeza da área para dar origem a alguma atividade lucrativa, há os renitentes que ainda não acreditam na importância da conservação de uma mata nativa, sendo capazes de jurar que tudo que aí se fala são movimentações histéricas de um bando de agitadores verdes, defendendo, esses renitentes até que, as ARIES (Áreas de Relevante Interesse Ecológico) devam ser abertas à visitações públicas, principalmente se já o foram outrora, em épocas onde a conscientização preservacionista nem existia.
Pouco a pouco, porém, a comunidade vem aprendendo que da vegetação depende uma série de fatores que irão influenciar, de alguma forma, no viver saudável do homem e ainda, a importância da existência da fauna que irá realizar todo o ciclo do qual o homem, também depende, sendo injusto que, para as atividades de lazer ou por mera curiosidade, venham as pessoas a invadir um habitat natural que não lhes pertence.
Dezenas de razões da necessidade da preservação das florestas, mormente as nativas, são marteladas diuturnamente, levando, com isso, à conscientização cada vez mais crescente de que preservar é preciso. Fala-se do clima do planeta, nas erosões, nos assoreamentos, no oxigênio que se respira etc., etc. sendo que cada título desses poderia ensejar a debates de longa duração e que sempre levariam à conclusão incontestáveis em favor da preservação.
Dois aspectos há, porém, que vemos ser pouco explorados: o primeiro se baseia no florestamneto de matas nativas destruídas. Esse reflorestamento, está comprovado, será muito mais efetivo se realizado a partir de espécies nativas ainda existentes nas matas "virgens" não destruídas e para isso, a forma mais apropriada de fazer o reflorestamento, será através de bancos genéticos que forneçam sementes e mudas selecionadas e de qualidade, para replantios. Podem crer, aí está um grande filão de negócios lucrativos para reflorestar o que foi destruído e que não é pouco, podendo até extravasar as fronteiras do país.
O outro aspecto, do qual vez por outra ouvimos falar e que talvez venha a proporcionar grandes negócios no futuro, é na área de medicina.
A farmacologia, cada vez mais adiantada no mundo, estuda incessantemente as propriedades medicinais de plantas exóticas, evidenciando que nas espécies mais raras, que hoje se destroem, estão embutidas as essências de importantes medicamentos que virão a ser descobertos.
O "quintal" de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro, dispõe de uma raridade em matéria de mata nativa; raridade remanescente final, pela diversidade de espécies e pela conservação ainda existente no solo e que vem a ser um resquício valiosíssimo de Mata Atlântica, identificado como um dos poucos refúgios animais da mata, resistente às glaciações em eras passadas em toda a sua extensão (do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte), fato que confere a esse pedacinho de selva características excepcionais de primitividade.
Felizmente essa mata, chamada de mata da Cicuta (ou mais aprpriadamente floresta da Cicuta) está, agora, preservada por lei e pela consciência do povo de Volta Redonda (embora se embuta 85% em território Barramansense). A intocabilidade desse quinhão natural e de seu entorno é mais que ponto de honra para o povo de Volta Redonda, é ponto de honra para a humanidade e um compromisso com as gerações futuras.
Gil Portugal