COMUNICAÇÃO E MEIO AMBIENTE
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Gil Portugal (novembro/91)

Produtor e consumidor, hoje, cada vez mais estreitam seus laços de comunicação, visando atender não só a parte econômica, que sempre foi de praxe, mas também, o lado qualitativos dos produtos.

É fato incontestável que mostrar a verdadeira face do produtor, sem os mascaramentos comuns dos "marketings", beneficia sobremaneira a imagem deste.

É a postura mercadológica moderna que visa o respeito do consumidor. O diálogo sincero transmite a confiabilidade.

Se pensarmos na questão da indústria, relacionada à agressão ambiental que produz, os raciocínios acima são mais que necessários e verdadeiros.

Dizer, com sinceridade, quais os danos que a atividade industrial pode estar causando à saúde da população é, antes de mais nada, uma mostra de honestidade que só pode colaborar para uma compreensão maior das dificuldades para solucionar os problemas e até facilitar a obtenção dos mecanismos necessários à solução.

O homem deve estar sempre incluído no contexto de qualquer política de proteção ambiental.

Indiscutível é que o impacto ambiental negativo é uma conseqüência inevitável da atividade produtiva.

Esse impacto é, sem dúvida, cada vez mais crescente e sua ação de degenerescência sobre o meio ambiente mais difícil de correção, forçando a Natureza à respostas catastróficas.

Os incontáveis confortos postos à disposição do homem contribuem para uma espécie de afrouxamentos de controles e, com o decorrer dos tempos, pode tornar irreversível o estado natural das coisas que contribuíram para aqueles confortos.

Muitas vezes o alerta para o perigo é colocado ao público de maneira sensacionalista e com embasamentos científicos fracos ou incorretos, levando, com isso, à descrença e ao abandono da causa por parte dos agentes das agressões.

A consciência individual deve evoluir através de verdades ditas sinceramente. A confiança se conquista passo a passo e a partir daí, começa a consciência ecológica coletiva que saberá distinguir, por isso, o que é sensacionalista ou não, após escutar o outro lado da estória.

Concluindo, as verdades devem ser mostradas com transparência, sem alarmismos e baseadas em fatos e dados. De nada adiantará, de antemão, considerar a batalha perdida.

Gil Portugal