DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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Gil Portugal (janeiro/96)

A rigor, a sobrevivência do homem depende da geração de riquezas pelo próprio homem. Por sua vez, a geração de riquezas depende de materiais que, ainda, por sua vez, dependem direta ou indiretamente de recursos naturais. Vale a pena, então, procurar definir o que são recursos naturais.

Numa definição simplista, podemos dizer que recursos naturais são matéria e energia que a natureza coloca à nossa disposição para que, transformando-os ou usando-os diretamente, possamos sobreviver e termos qualidade de vida.

Nesse entender, podemos, agora, definir o desenvolvimento sustentável como o procedimento que leva à produção, de uma forma ampla, preservando os recursos naturais. Vamos falar um pouco mais de recursos naturais.

Para um melhor entendimento e para começar, podemos dizer que há duas grandes classes de recursos naturais: os renováveis que são os que a natureza repõe e os não renováveis que são os que a natureza não repõe.

Para ambos os recursos, as regras básicas do desenvolvimento, que se quer sustentável, são: economizar, reutilizar e buscar sucedâneos.

Acontece que, contrariando a definição, há recursos naturais renováveis que a natureza, às vezes, não repõe e se não repõe; é porque os meios que possibilitam essa reposição estão saturados por agentes estranhos que dificultam a reposição.

Surge, então, para os recursos renováveis, outra regra básica no desenvolvimento que se quer sustentável: não saturar o meio que possibilita a reposição.

A água de um rio, por exemplo, é um recurso natural renovável, no que diz respeito a sua qualidade mas, conforme for castigada por agentes poluidores, é possível que ela não possa recuperar sua qualidade economicamente, tornando-se um recurso não renovável.

Um vegetal sempre sucederá outro que foi extraído do solo, a menos que o solo e o ambiente em geral não estiverem comprometidos pela ausência de elementos básicos ou pela presença de elementos nocivos.

O homem é o saturador por excelência do ambiente, muitas vezes em grande escala e de uma vez só, acidentalmente, propositadamente ou desidiosamente, como no caso das bombas de Hiroshima e Nagasaki, por Tchernobil e pelas experiências atômicas no atol de Mururoa, que inundaram o ambiente com partículas radiotivas de meias-vidas de durações as mais diversas. Pelo petroleiro Exxon-Valdez que inundou o mar do Alasca com óleo. Pelo derrame de substâncias tóxicas no Rio Reno. Por Bhopal, pela Guerra do Golfo etc.

E outras vezes o homem satura gradualmente o meio ambiente, quando causa a chuva ácida, destrói a camada de ozônio, aumenta o efeito estufa, lança aos corpos d’água esgotos não tratados, permite a disposição de lixos de toda a natureza e inadequadamente, realiza queimadas, faz devastações de florestas e por aí a fora.

Em resumo, a toda a hora se coloca a natureza à prova.

O pobre polui porque usa indiscriminadamente os recursos naturais. O rico polui porque usa em demasia os recursos naturais.

A globalização da economia, forçando a competição, trouxe a série de normas denominadas ISO 9.000, visando aumentar a qualidade e abaixar custos. Através dessas normas muitas empresas sobreviveram.

A série ISO 14.000, que está para chegar, terá o mérito de ajudar a sobrevivência do meio ambiente, através de normatizações que cuidarão de: emissões líquidas e gasosas, de lixos de toda espécie e procedência, de combustíveis e seus aspectos importantes no meio, da liberação de energias térmicas e vibratórias e até de impactos visuais.

Tais normatizações, com a ISO 14.000, serão postas em prática através de sistemas de gestão, da avaliação do desempenho ambiental de quem produz, da obrigação de auditorias e da avaliação do produto, segundo sua implicação no meio, desde sua origem até o seu uso e descarte do resíduo dele originado.

Enquanto isso, temos que ser mais realistas e imediatistas quando se trata de preservação, porque o tempo está passando e as agressões ao meio ambiente estão sendo cometidas a cada instante.

Vale a pergunta: por onde começará a conscientização de todos os habitantes do planeta da realidade desse quadro? Eu mesmo respondo: pelos jovens, desde que tenham a oportunidade de se educarem ambientalmente.

Levando ao povo uma educação ambiental maciça e permanente, e mostrando o inexorável caminho que estamos seguindo, talvez convençamos nossos empresários, dirigentes e àqueles que elaboram nossas leis a adotarem posturas mais concretas para reversão do quadro.

Gil Portugal