EDUCAÇÃO AMBIENTAL II
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Gil Portugal (agosto/94)

Este é um tema que, vez por outra, sou chamado a opinar, como ocorreu no programa “TV Rio Sul Debate", de 4 de junho de 1994, véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente. Confesso que ao debater o tema, respondendo a um professor de Valença e como foi proposto, se não gaguejei, pelo menos "enrolei". Isso por dois motivos: a premência do tempo para uma explanação plena do meu pensamento e, segundo, pela colocação já pronta e acabada, um "déjà vu"; mesmo assim, não sei se o telespectador pôde captar o meu ponto de vista.

Ocorre que não tenho visto programas de educação ambiental que não se baseiem em ensinar a separação dos componentes do lixo que são recicláveis (papéis, metais, vidros e plásticos) ou que não se baseiem na defesa da fauna e da flora com passeios pelas matas e, inclusive, com as solenidades muito comuns de cerimônias de plantio no entorno do dia 5 de junho, ou no dia consagrado à arvore.

Reconheço que é muito útil incutir esses aspectos na cabeça dos jovens, mas acho pouco, muito pouco (perdoem-me aqueles que têm um conteúdo programático mais extenso) a ser ensinado.

Tenho como convicção própria que deva ser ensinado às crianças, com linguagem mais acessível que se puder, aspectos íntimos da deteorização dos componentes dos ecossistemas. Explico melhor, não só ensinar que não se deve jogar lixo no rio, mas explicar o por quê esses lixos não devem ser jogados, que males eles farão ao rio e quais as conseqüências desses males. Ensinar o por quê o óleo lançado às águas é prejudicial à flora e à fauna, o que acontece com as guelras e as escamas de um peixe "molhado" com óleo, ou mesmo, quais os prejuízos que o óleo acarretará à "saúde" de um vegetal.

Como será importante a criança saber que o rio estará vivo quando a taxa de oxigênio dissolvido em suas águas for diferente de zero e o por quê da importância do oxigênio, face as cargas orgânicas que a todo momento são lançadas nas águas, principalmente via esgotos domésticos "in natura".

Como será importante a criança saber que nem toda a poeira existente no ar atingirá nossos pulmões e conhecer as conseqüências advindas daquelas que atingem. Como será importante a criança saber que certos lixos, quer domésticos, quer industriais, quando dispostos em terrenos, poderão influenciar na qualidade das águas abaixo do solo, explicando a elas que existem essas águas.

Como será importante saber que os vegetais, além de proporcionarem equilíbrios climáticos, são a defesa do solo contra as erosões que causam a infertilidade do terreno e os assoreamentos conseqüentes delas.

E por aí a fora. Quanta coisa um pouquinho mais profunda poderia ser repassada. Afinal, a defesa do meio ambiente será tão mais efetiva quanto mais se conhecerem os por quês dos malefícios das agressões.

 

Gil Portugal