Gil Portugal (agosto/92)
Existem situações que forçam o homem a pensar e a criar, porque sua sobrevivência está em jogo.
Uma dessas situações é a crise econômica, quando as empresas quebram, se não souberem dançar na corda bamba. Exatamente nessa situação é que as soluções criativas começam a brotar para salvar as empresas e como conseqüência, o emprego e a sobrevivência dos indivíduos que delas dependem.
Não estariam, por outro lado, aí instaladas as microempresas na economia informal ou não, se não fosse a necessidade que cada qual tem de sobreviver.
Mas vamos pensar outro aspecto da questão: a que se refere ao espaço vital. Citemos, como exemplo, o Japão, com uma enorme população comprimida num território muito pequeno.
Se o homem é um constante gerador de resíduos, e se ele está confinado em um espaço que tem que disputar com seus semelhantes, é evidente que, se não se organizar junto com os demais, não sobreviverá, afogado que estará em lixos.
Foi, não tenham dúvidas, essa "barra forçada" que começou a fazer crescer aquele país.
Um forte sistema educacional, desde o lar, obriga os japoneses, ainda pequeninos, a respeitar o pouco espaço destinado à sua família, através da organização em sua casa: o lixo no lixo, a roupa no armário etc.
E foi, exatamente esse comportamento que começou a ser extrapolado para as ruas e para as fábricas. Em cima disso, naturalmente, começaram a ser montadas várias teorias de gerenciamento que diuturnamente eram aprimoradas.
O uso de recursos naturais e do espaço, para o japonês, era como fazer poupança; não se podia dar ao luxo de desperdícios.
A cultura desse povo foi, então, por aí se moldando e seus comportamentos assumidos como hábitos normais dos cidadãos.
Já, quanto ao nosso Brasil, onde os espaços são enormes, tal ânsia por sobrevivência não existe nesse aspecto e isso dificulta muito (infelizmente) a importação da experiência japonesa.
Outrossim, pelo lado da crise econômica, têm pipocado, aqui e ali, soluções altamente criativas que estão ajudando o nosso povo a sobreviver e são exatamente essas soluções que reverterão, em breve, talvez, a crise por que passamos.
Gil Portugal