Gil Portugal (1993)
Para começar, o gerente ambiental de uma empresa deve ter claramente e muito bem conceituados os impactos que as diversas atividades desenvolvidas causam no meio ambiente, de forma macro, a fim de que ele se motive pessoalmente para tornar essas atividades menos agressivas.
Deve. também. conhecer, com relativa profundidade, os maquinários e os processos existentes e o inter-relacionamento dos impactos ambientais com o fluxo da produção e as disponibilidades de recursos materiais e humanos.
Não pode deixar de conhecer as potencialidades de sua empresa, no que se refere aos serviços prestados por outras áreas, quer produtivas, de manutenção e da administração.
O gerente deve, naturalmente, ter um bom poder de comunicação, principalmente com a comunidade onde está inserida sua empresa e saber transmitir segurança e tranqüilidade nas informações para uso externo, mesmo nos momentos de crise.
Tais pré-requisitos são suficientes para banir a idéia de que o gerente ambiental deva ter uma formação, através de curso que vise formar o ambientalista como profissional liberal, tal qual se formam engenheiros, advogados e médicos.
Tal idéia, se houver, leva a crer que exista uma pretensão de que as ações em defesa do meio ambiente devam ser da competência legal e exclusiva de um grupo de graduados que se formem ambientalistas, o que, nesse caso, seria um cartório a mais nesse País de cartórios quando, qualquer projeto que se referisse a proteção ambiental teria que passar obrigatoriamente pelo aval desse profissional graduado.
Somos de opinião, isso sim, que um gerente ambiental possa ter qualquer formação superior (ou mesmo técnica), desde que detenha um relativo embasamento nas ciências, tenha grande intimidade com os fatores causadores das agressões ambientais e um razoável tino administrativo para conduzir seus gerenciados às ações, com o mínimo de desperdícios de esforços.
Toda profissão de nível superior tem um código de ética que indica o relacionamento entre o profissional e seus colegas e a sociedade. A Natureza, sendo um bem da sociedade, deveria ser considerada em todos os códigos de ética profissionais e as ações contra ela serem consideradas ações contra a sociedade e antiéticas.
Quanto aos gerenciados, isso sim, entendemos que devam ser preparados, em profundidade, dentro de um ou mais assuntos técnicos da enorme gama que envolve o assunto Meio Ambiente, aproveitando, aí, suas formações e vocações, fazendo-os freqüentar as modalidades diversas de pós-graduação, cursos de média e curta duração, seminários etc. Devem também, serem incentivados a pesquisar e a elaborar trabalhos técnicos.
Voltando ao assunto gerente. Como qualquer gerente, esse deve ter um perfil tal que, saiba liderar pelos exemplos de suas ações como profissional e pessoa, que lide com habilidade com as múltiplas variáveis envolvidas, que saiba distribuir com maestria (e também controlar) as tarefas do dia-a-dia entre seus especialistas e que tenha um bom trânsito entre os outros órgãos de sua empresa, para a busca de apoios.
Deve o gerente, saber pesar as alternativas e definir com firmeza as mais adequadas no seu entender e ainda, defender os pontos de vista de seus técnicos junto a alta administração.
Numa função tão multidisciplinar, vale mais a vivência que um diploma.
Gil Portugal