ATERRO SANITÁRIO CONTROLADO
Home Artigos Publicados Curtas

Gil Portugal
(1999)

Roberto Fendt, vice-presidente do Instituto Liberal do Rio de Janeiro, dissertando sobre a ideologia do Partido Verde Alemão, remete-nos a uma meditação que é válida colocá-la para os leitores do "Diário do Vale".

A força política do Partido Verde Alemão fez aprovar uma lei, e lá, lei é para pegar, obrigando que todas as embalagens de plástico, vidro, metal e papelão, depois de cumprirem suas finalidades, têm que ser recolhidas pelos fabricantes dos produtos e ou distribuidores, visando a reutilização ou a reciclagem.

O argumento ideológico, de certa forma válido, é que com isso, se estará economizando recursos naturais e aumentando a vida útil dos aterros sanitários.

Roberto Fendt ainda levanta, fase a fase, o custo desse processo que alcança alguns bilhões de dólares, incluídos aí a coleta seletiva, o transporte convencional, a lavagem, a seleção dos tipos de recicláveis da mesma espécie, o pré acondicionamento para reciclagem, o transporte para as recicladoras, as reciclagens e as despesas administrativas.

Com isso, considera ele que existe um tremendo desperdício de recursos que poderiam estar direcionados, por exemplo, ao saneamento (qualidade da água e tratamento de esgotos domésticos).

Manifesta, então, seu receio de que lei parecida venha a vigorar e "pegar" no Brasil, visto que, segundo sua concepção, o retorno financeiro seria insignificante; os custos superando em muito as receitas.

Não podemos deixar de concordar, em parte. Talvez, pelas dimensões continentais de nosso País, a coisa toda ficaria ainda muito mais cara, o que indicaria que soluções regionalizadas deveriam sempre ser levadas em conta.

Vamos deixar ao leitor tirar suas conclusões a respeito dessa lei alemã. A questão é bastante polêmica. Falemos, agora, um pouco, do caso de Volta Redonda e de seus lixos domésticos.

A Agenda 21-Local de Volta Redonda, através do seu Grupo Temático do Lixo, trouxe ao debate nas comunidades e na mídia todos os aspectos envolvendo a questão do lixo doméstico. Muitas idéias foram apresentadas, inclusive no tocante ao novo Aterro Sanitário de Volta Redonda.

Pois é chegada a hora de Volta Redonda mostrar que pode ter o melhor, senão um dos melhores aterros sanitários para dispor seus lixos domésticos. Isso porque ele vai ser construído agora, quando se sabe o que de melhor deve (tem que) ser posto em prática.

Na atualidade, segundo literatura especializada, o Aterro Sanitário Sítio São João, em São Paulo, parece ser o melhor do Brasil, visto que nele foram consideradas as melhores tecnologias, inclusive uma das principais, qual seja, a relativa à proteção total dos mananciais hídricos vizinhos a jusante do aterro.

Vale, antes de continuar, recapitular os tipos de disposição de lixos domésticos, conforme é feita essa disposição.

Para começar, os chamados lixões, que são amontoados de lixo num terreno, sem a mínima preocupação com o que pode ocorrer em termos de saúde pública.

Já os denominados aterros sanitários, pode-se dizer que são lixões melhorados, pois neles há uma preocupação em se recolher os líquidos gerados na fermentação do lixo (chorume), em se cobrir com terra as camadas de lixo que forem sendo depositadas; todavia, as proteções dos mananciais hídricos são deficientes, o chorume não é tratado e permanecem muitos problemas de saúde pública; caso atual de Volta Redonda.

Quanto aos chamados aterros sanitários controlados, estes têm os seus projetos prevendo suas localizações observados os mananciais hídricos subterrâneos e superficiais em posições favoráveis; o solo da base devidamente compactado e impermeabilizado pela própria argila ou com a utilização de mantas de polietileno; já se prevêem caminhos adequados para o chorume e as formas de tratá-los; já ficam previstas as tubulações verticais e perfuradas colocadas na massa do aterro para coleta dos gases que serão gerados, dando a eles destinações que podem ser a simples queima; já se prevêem as coberturas com terra a cada disposição do lixo e finalmente, já fica definido um gerenciamento dos posicionamentos das células, coordenados com as movimentações de caminhões e pás carregadeiras.

Para melhor completar o sucesso, o Aterro Sanitário Controlado, para ter vida longa, deve ser acoplado com um local próximo de cantança seletiva e de reaproveitamentos voltados às reciclagens, podendo ser centros de triagem espalhados pela cidade.

Em qualquer dos casos, a cidade deve colaborar com redução da geração de resíduos, reutilizando-os e selecionado-os para reciclagens, tudo isso visando, entre outros motivos, o envio para o Aterro de volumes de lixo cada vez mais decrescentes, poupando sua vida útil e economizando para o município nas despesas de transporte.

Se aqueles (governantes) que se lançarem a um projeto de aterro sanitário tiverem em mente suas responsabilidades sociais para com a saúde pública, para com o meio ambiente e para com a economia de recursos públicos, um bom projeto para um novo aterro, virá ao encontro de suas expectativas.

Para Volta Redonda a hora é essa, todavia onde anda e a quantas anda o projeto do nosso Aterro? Ele será mostrado e demonstrado para debate com a comunidade?

 

Gil Portugal