Gil Portugal
(2000)
Quando, repentinamente, escapou gás natural de um terminal da Petrobrás, a população do Aterrado, do Jardim Amália e arredores passou por um grande susto e começou a se indagar quais eram os reais riscos que estava correndo, em face da proximidade daquela instalação.
A sociedade cobrou e alguns segmentos técnicos da sociedade, entre esses o Sindicato dos Engenheiros, levaram à frente a cobrança. Foi quando surgiu, por parte da população, o conhecimento do que era uma APR, ou seja, uma Análise Preliminar de Riscos, obrigatória para quaisquer instalações que estocam, transportam ou que lidem, de uma maneira geral, com inflamáveis e produtos tóxicos.
Tal análise, basicamente, compreende as seguintes fases e definições, das quais, abaixo, fazemos um resumo:
CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS
Estimativa da severidade das conseqüências
Categoria I Desprezível Quando as conseqüências/danos estão restritos à área industrial da ocorrência do evento com controle imediato.
Categoria II Marginal Quando as conseqüências/danos atingem outra subunidades e/ou áreas não industriais com controle e sem contaminação do solo, ar ou recursos hídricos.
Categoria III Crítica Quando as conseqüências/danos provocam contaminação temporária do solo, ar ou recursos hídricos, com possibilidade de ações de recuperação imediatas.
Categoria IV Catastrófica Quando as conseqüências/danos atingem áreas externas, comunidade circunvizinha e/ou meio ambiente.
Estimativa da freqüência provável
Categoria A Provável Quando se situa na faixa de freqüência (ocorrência/ano) igual a 1< f < 10 3 Esperado ocorrer várias vezes durante a vida da unidade. Ocorrências envolvendo falha humana.
Categoria B Pouco Provável Quando se situa na faixa de freqüência (ocorrência/ano) igual a 10 3 < f < 10 4 Esperado ser pouco provável ocorrer durante a vida da unidade. Ocorrências envolvendo a falha de equipamentos/operação sem automação e controle.
Categoria C Remota Quando se situa na faixa de freqüência (ocorrência/ano) igual a f < 10 4 Conceitualmente possível, mas improvável ocorrer durante a vida da unidade. Ocorrências envolvendo a falha de equipamentos/operação com automação e controle.
Enquadramento a partir da Análise Preliminar de Risco
Basicamente são três os níveis de risco e mais dois extremados aos três;
Catastrófico Crítico Moderado Não Crítico Desprezível
O enquadramento acima irá propor a necessidade ou não de um estudo de risco quantitativo ou qualitativo, acompanhado ou não de um Plano de Ação de Emergência e um Programa de Gerenciamento de Risco, sempre compatíveis com o grau de risco observado.
Notas: 1) Sempre que o nível for Não Crítico o estudo do risco será qualitativo.
2) Sempre que o nível for Moderado ou Crítico o estudo do risco será quantitativo.
3) Em ambos os casos acima cabem o plano de Ação de Emergência e o Programa de gerenciamento de Risco, só não cabendo quando o nível for Desprezível.
4) Podem ser considerados os níveis intermediários, como por exemplo: Moderado a Crítico; Crítico a Catastrófico etc.
Para a realização da APR as empresas contam com empresas especializadas que contratam, a fim de cumprir essa obrigação legal.
Gil Portugal