Férias para FÁBRICA NATUREZA
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Gil Portugal

Felizmente, o bicho homem parece começar a compreender que são infinitas as possibilidades de negócios no campo das reciclagens e das reutilizações de resíduos.Vale lembrar que resíduos ou restos é tudo aquilo que sobrou a partir de um determinado uso que se fez de um bem. A apara de um torno não é importante para a peça final, logo. é resíduo, da mesma forma que a casca de uma batata não é fundamental para que se coma a batata. Vale também lembrar que reciclar é transformar o resíduo em sua forma ou composição para que se produza um novo bem para consumo e reutilizar é não transformar o resíduo, mas dar-lhe a mesma utilização primitiva ou outra, dispensando, assim, a produção de um bem de consumo novo.

Bem, continuando a falar do bicho homem, a compreensão dele de que comentamos no início deste artigo não é por que ele seja um preservacionista de carteirinha, poucos em realidade são, e muitos que não são, dizem que são. Em todo o caso, já começa a haver uma visão de que certas reciclagens e reutilizações de resíduos são um bom filão para ganhar dinheiro e não se precisa ser esperto para perceber que muita coisa ainda existe para ser “bolada” nesses imensos campos das reciclagens e das reutilizações.

Quem acompanha o assunto pelos jornais, TV’s, Internet etc. se depara, a todo momento, com novidades em cima de novidades e muitas mentes aguçadas começam a enxergar lucros nesta ou naquela alternativa que podem vir a ser buscadas.

São restos de alimentos e folhagens se transformando em nutrientes para o solo, da mesma forma que o sangue de boi dos matadouros misturado à serragem e rúmem, devidamente “temperado” com nitrogênio, fósforo e potássio, podendo ser usado como adubo.

São latas de óleo de soja que, preenchidas com concreto, podem servir para estaqueamentos ou como moirões.

São raspas de pneus misturadas à massa asfáltica para lhe conferir propriedades excelentes de durabilidade ou para servirem de amortecedores em “play-grounds”.

São embalagens de filmes fotográficos para armazenar pequenos objetos ou coletar urina para exame clínico.

São embalagens de plásticos e de Tetra-Pak (aquela do leite Longa Vida) para fabricar pisos, corrimãos etc., peças essas, aliás, de grande resistência mecânica e ao tempo.

São pneus reutilizados para contenção de encostas ou para queimar em fornos de cimento, em substituição aos combustíveis tradicionais.

São cinzas de incineradores de lixo doméstico criando áreas de aterro mar a dentro, como vem sendo feito no Japão, para aumentar sua área territorial.

É o asfalto com vidro para pavimentar estradas.

E por aí a fora. E o que isso significa?

A reutilização de qualquer resíduo, transformando-o ou não, cria, pela nova utilização, um bem novo que provavelmente teria que ser fabricado às custas de recursos naturais virgens e energia.

Dessa forma, com esses procedimentos, o homem nada mais estará fazendo que dando férias à fábrica Natureza, preservando os seus recursos e ganhando dinheiro.

A intocabilidade dos recursos naturais, no caso, não significa apenas na sua economia, mas também, que não se terá que “desentocá-los”, causando degradações que levam à desarmonias dos ecossistemas; da mesma forma, a economia de energia adiará a necessidade de novas gerações, sempre degradadoras do meio ambiente.

Através das pesquisas, a engenharia de materiais vem se aprofundando cada vez mais nesse campo da reciclagem, assim como a inventividade, fruto da perspicácia e da inteligência humana, pricipalmente do brasileiro com o seu dom nato, mesmo que leigo, vem dando à luz boas idéias de reutilização.

 

Gil Portugal